Há plataformas específicas para babás, fotógrafos, cabeleireiros e manicures, entre outros profissionais autônomos

SÃO PAULO – A crise econômica e o consequente aumento do desemprego têm impulsionado uma segunda onda de plataformas que aproximam profissionais autônomos e clientes interessados em seus serviços. Após uma primeira fase, entre 2010 e 2011, em que o modelo surgiu no Brasil com startups como a GetNinjas, entre outras, a aposta dos empreendedores hoje é segmentar ainda mais a área de atuação dos prestadores de serviços.

Agora, ao procurar um profissional, o contratante encontra empresas que oferecem trabalhos específicos, como os prestados por babás, fotógrafos e até os de um salão de beleza.

Tallis Gomes, fundador e CEO da Singu
Foto: Divulgação

O empreendedor Tallis Gomes, que já tem experiência na área com a criação do EasyTaxy, fundou agora sua segunda startup, a Singu. O aplicativo desenvolvido por ele surge como opção para profissionais da área de beleza e cuidados pessoais que não têm um salão fixo onde atender. “O que nós fazemos é compartilhar a agenda desses prestadores de serviços. Eles são nossos clientes e nos contratam para que divulguemos seu trabalho. Servimos como se fossemos Páginas Amarelas”, explica, referindo-se ao antigo catálogo telefônico de anúncios impresso nessa cor.

Por meio da plataforma, o cliente pode receber em casa um profissional especializado em fazer unhas, cabelo, massagem e maquiagem. Os pedidos têm de ser feitos com duas horas de antecedência e os preços são tabelados pela empresa, que, atualmente, atende em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Fundada em junho do ano passado, a startup funciona em modelo parecido com o do primeiro empreendimento de Tallis. Os prestadores de serviço atendem em rotas de acordo com a proximidade de onde são feitas as solicitações, e os lucros são divididos com a empresa: 30% do valor fica para a Singu, e 70%, com o profissional. Os pagamentos são feitos apenas com cartão de crédito.

“Ao recebermos solicitações de profissionais que queiram trabalhar conosco, a primeira coisa que fazemos é checar suas referências e ficha criminal. Em seguida, eles passam por um teste feito pessoalmente, e, se aprovados, entram em um processo de treinamento”, conta. O fundador e CEO da startup diz que preza pela qualidade dos seus prestadores de serviços para oferecer “um salão de beleza de luxo com preço de salão de bairro”.

Babá qualificada

Seguindo o mesmo conceito, Luciana Pereira e Taric Andrade criaram o Click Babá. O aplicativo desenvolvido pelo casal em janeiro já tem 52 babás cadastradas, que atendem na Grande São Paulo.

Com a plataforma, os pais que por algum motivo precisam que seus filhos fiquem sob a supervisão de uma babysitter encontram um catálogo de profissionais e podem especificar quais cuidados especiais serão necessários com suas crianças durante o tempo do serviço. Os pedidos têm de ser feitos com 10 horas de antecedência, por meio de um aplicativo para celular.

“Trazemos um modelo diferente das agências tradicionais, pois damos a oportunidade para os pais escolherem os profissionais”, diz Andrade. Ele conta que as babás que fazem parte do sistema têm uma fonte de renda principal e entram no negócio como freelancers.

Assim como no caso da Singu, o Click Babá fica com uma porcentagem fixa em relação ao valor da contratação. A diferença é que, neste caso, os prestadores de serviço não têm um preço tabelado pela empresa.  “Nós ensinamos elas a se ‘precificarem’, calculando tudo que se deve incluir no valor, como o deslocamento e o preço/hora”, explica o co-fundador da startup.

Para se cadastrar no aplicativo, os profissionais e os pais também passam por uma checagem de seus antecedentes e um período de testes para tornar o negócio confiável para as duas partes. “A ideia foi criar um serviço que trouxesse segurança e agregasse alguma coisa para as crianças. Buscamos profissionais qualificados para oferecer algo diferente. A televisão, por exemplo, tem que ser o último recurso a ser usado pelas babás”, afirma Andrade.

Fotógrafo para toda obra

Com modelo parecido, a FeeZoom aproxima fotógrafos e clientes. Criada há apenas dois meses na cidade de Imperatriz, no Maranhão, a startup oferece um catálogo de profissionais em um site para quem quer registrar suas comemorações.

O fundador Alkefran Albuquerque explica que teve a ideia no final de 2014, quando precisou contratar um fotógrafo para sua colação de grau. “Ao procurar por esses profissionais, vi que não existia uma maneira fácil de enviar e receber orçamentos rapidamente”, explica. Com a startup, os interessados podem fazer essa consulta de maneira mais rápida e prática.

Apesar de a plataforma permitir que haja negociação entre cliente e fotógrafo sobre o valor a ser cobrado, o CEO da FeeZoom afirma que pretende definir um preço fixo para esses prestadores de serviços, atuando de maneira semelhante à Singu e ao Click Babá.

Como está em fase inicial, até o momento o negócio não gera renda para o fundador e seu sócio Leandro Araújo. “Ainda não cobramos uma porcentagem sobre a contratação dos profissionais, mas, quando começarmos a fazer o pagamento on-line, definiremos uma taxa de 10% a 12% sobre o serviço”, adianta Albuquerque.

“Até o momento estamos com 30 profissionais de diferentes cidades cadastrados no sistema. Temos fotógrafos de Belo Horizonte, Santos, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro”, diz.

Tallis Gomes, da Singu, avalia que a maior dificuldade enfrentada por essas startups é a questão da segurança. “O grande desafio é provar para as pessoas que elas podem confiar no aplicativo, pois vão contratar alguém que não conhecem”, explica.

Como são negócios em fase inicial e com no máximo um ano de funcionamento, as empresas ainda não divulgam o faturamento.

Marco Bissi

Post Original: http://www.dci.com.br/servicos/nicho-caracteriza-segunda-onda-de-startups-que-aproximam-prestadores-de-servico-e-clientes-id552457.html

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