Por mais natural que seja na rotina entre pais, filhos e educadores, brincar com uma criança vai muito além de mero entretenimento infantil. Nem todos os pais sabem da importância das brincadeiras lúdicas na educação das crianças e acabem tratando este momento como um simples passatempo. Mas a verdade é que a fantasia é fundamental para o desenvolvimento e aprendizado da criança.

É por meio do lúdico que a criança problematiza o mundo, desenvolvendo novas capacidades e expandindo os próprios limites. Através deste mundo da imaginação, estimulado por jogos e brincadeiras, elas alcançam novos estágios de autonomia, auxiliando em sua formação individual.

E isso não se trata de distração, como às vezes acontece com o uso exagerado de brinquedos tecnológicos. Sentar-se no chão com a criança e simplesmente dedicar algumas horas a embarcar em sua fantasia infantil é mais produtivo no sentido de aprendizado, do que entregar a ela um gadget como um tablet. Dessa forma, a brincadeira lúdica não serve apenas para mantê-la entretida, mas fundamentalmente para estimular suas funções cognitivas.

Explorando o mundo

É por intermédio do brincar que as crianças, sobretudo em idade pré-escolar, aprendem a se colocar no ambiente em que vivem, elaborando e apreendendo conceitos para seu desenvolvimento físico-motor. Afinal, conceitos como o espaço, o tempo, as texturas e temperaturas de objetos, assim como suas formas e consistências, são testados e vivenciados através das brincadeiras.

Além do desenvolvimento de habilidades, o lúdico convida à formação ética, ao estabelecimento de valores morais e afetivos. No contato com adultos e outras crianças, por meio das brincadeiras, aprende-se o convívio saudável e pacífico com o outro, o ganhar e o perder, a construção de laços de amizade e o respeito com as diferenças.

Educação infantil na pedagogia Waldorf

O brincar está, hoje, no centro da atenção de educadores, com respaldo científico: pesquisas apontam que as crianças que brincam mais são mais capazes de encarar o aprendizado como fonte de prazer. Crianças que crescem entre brincadeiras adequadas à sua idade têm, em última instância, mais facilidade de aprender quando em idade escolar, além de serem mais criativas.

Na pedagogia Waldorf, criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), o brincar é considerado o principal conteúdo da infância na pré-escola. Dentro deste conceito, a brincadeira é um impulso natural, como uma necessidade básica e fisiológica da criança. Para desenvolver-se de forma plena, é preciso ter liberdade de pensar e de criar livremente — o que só é possível através do estímulo da imaginação que o lúdico proporciona.

Planejando as brincadeiras

Mais do que brinquedos, crianças devem ter o espaço adequado a sua expressão lúdica, tanto em termos físicos quanto temporais. Separar um tempo entre outras atividades para brincar é preocupar-se com o desenvolvimento saudável da criança. É preciso encarar a fantasia como forma de posicionamento perante o mundo. Através de comportamentos como imitação do mundo adulto, as crianças se reconhecem e se constroem enquanto seres humanos.

E quanto mais variadas e inventivas forem as brincadeiras, melhor. Assim, é possível provoar ainda mais a imaginação infantil, conciliando o prazer da novidade ao aprendizado dinâmico. Isso não significa, necessariamente, criar jogos e brincadeiras superelaboradas, muito menos valer-se de brinquedos caros e tecnológicos. Neste sentido, lembrar-se da própria infância, dos jogos e brincadeiras tradicionais, já dão um bom indicativo do caminho a ser percorrido.

Provocar situações-problema, como um jogo de caça ao tesouro, é garantir, ao mesmo tempo, uma boa dose de diversão com aprendizado — por meio das dicas, as crianças exercitam o raciocínio lógico e interagem com o ambiente em que estão inseridas.

Brincadeiras lúdicas

Caça ao tesouro

Como o nome adianta, o objetivo aqui é encontrar algum objeto escondido. É preciso uma dose de planejamento também, pois o adulto deve desenvolver pistas em forma de charadas e espalhá-las pelo ambiente. Conforme for acertando as dicas, a criança progride no jogo, até que consiga encontrar o prêmio. Para crianças ainda não alfabetizadas, pode-se usar o recurso do “quente” e “frio”, de acordo com a proximidade do objeto.

Fantoches

Contar histórias para crianças usando recursos narrativos e teatrais é ótimo para desenvolver a atenção e estimular habilidades cognitivas. Mas que tal incentivá-las a criar e contar suas próprias fantasias valendo-se destes mesmos recursos? Os fantoches em questão nem precisam ser comprados prontos, pois você pode usar materiais disponíveis em casa para construí-los junto da criança. Meias, gorros, luvas e outras peças de vestuário, por exemplo, podem se transformar em personagens como animais e pessoas — tudo depende da imaginação da criança. Garantia de horas de divertimento!

Objetos cotidianos

Como no caso dos fantoches, ressignificar os elementos do cotidiano é um ótimo recurso lúdico. Uma simples caixa de papelão pode ser tornar um carro, um avião, um foguete, ou quem sabe uma casa ou um planeta. Tudo depende da imaginação da criança e do incentivo do adulto que embarca junto na brincadeira.

Mímica

Poucas coisas são tão divertidas para as crianças do que a imitação. Seja para emular um animal, com seus sons característicos, ou um objetos em suas formas, a capacidade de comunicação não-verbal é colocada em questão nesta brincadeira. E tanto fazer a mímica quanto tentar adivinhar a mímica do outro são atividades estimulantes e envolventes.

Elefante colorido

Bom para brincar em grupo, o jogo consiste em um líder, que deve dizer “elefante colorido!”, ao que os demais respondem “de que cor?”. A resposta, dada por quem iniciou a brincadeira, é o sinal que começa uma corrida dos participantes para encostar em algum objeto da cor mencionada pelo líder: pode ser uma peça de roupa, algum elemento decorativo, qualquer coisa que tenha a determinada cor. Pode ser jogada tanto dentro como fora de casa.

Pega-bandeira

Deve ser realizada fora de casa, em um parque ou uma praça, ao ar livre, é o seu cenário ideal. Trata-se de uma competição que envolve uma boa dose de atividade física e outra de estratégia. Cada um dos dois times tem seu campo demarcado e, no fundo, uma bandeira, da qual o objetivo final é capturá-la sem ser pego.

Telefone sem fio

Uma das mais tradicionais brincadeiras que não perdeu o encanto com o passar do tempo. Ela estimula a atenção da criança, que deve ouvir a palavra ou frase atentamente para repassar adiante.

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