Depressão Pós-Parto: entenda o que acontece

by — Posted in Psicologia on 28/02/2017

A criança nasceu perfeita, tem boa saúde e todos estão muito contentes com sua chegada. Nenhum problema foi identificado, não houve discussões ou situações de estresse. Em casa, tudo está preparado para receber a mamãe e o bebê recém-nascido. Mas, inexplicavelmente, a mãe é acometida por uma melancolia que ela não sabe de onde vem.

Esse sentimento pode ser passageiro, desaparecendo em alguns dias. O problema surge quando ele não vai embora e, à medida que o tempo vai passando, essa melancolia aumenta e afeta até mesmo a capacidade de exercer algumas tarefas diárias. Apatia e desinteresse fazem parte do rol de sentimentos da mãe. Essa é a Depressão Pós-Parto.

Há algum tempo, pouco se falava sobre Depressão Pós-Parto, pois os transtornos de humor sempre foram associados às características femininas. Sem a certeza de um diagnóstico ou um tratamento adequado, essa doença seguia dois caminhos: o fim ou tornava-se crônica.

Para que você entenda o que é e como ocorre a Depressão Pós-Parto, nós preparamos este artigo com todas as informações relevantes. Confira!

O que é a Depressão Pós-Parto?

Tradicionalmente, nos livros de psiquiatria, três tipos de distúrbios de humor são relacionados ao período pós-parto: a Disforia do Pós-Parto, a Psicose Puerperal e a Depressão Pós-Parto.

A Disforia do Pós-Parto é um fenômeno transitório e bastante comum, acometendo talvez a maioria das mães, tendo como sintomas principais a tristeza e/ou variações rápidas do humor, choro imotivado, irritabilidade e ansiedade. Ocorre na primeira semana após o parto e por definição tem sua duração limitada a poucos dias.

Em um outro extremo, a Psicose Puerperal é um quadro severo em que a maioria dos casos tem a sua instalação nas primeiras duas semanas após o parto, caracterizado pela presença de agitação, agressividade, alucinações, delírios, insônia importante, crítica prejudicada entre outros sintomas. Apresenta uma prevalência de 1 ou 2 casos a cada 1.000 partos e frequentemente é necessária a hospitalização da paciente.

A Depressão Pós-Parto, por sua vez, trata-se de um episódio depressivo com início ou continuidade no período pós-natal, ou seja, a depressão pode ter se iniciado durante a gravidez ou até mesmo antes dela e ter se prolongado até depois do parto.

Em geral, são considerados como pós-parto os episódios que ocorrem nos primeiros seis meses após o nascimento do bebê. Apesar de apresentar uma intensidade variável de sintomas, a Depressão Pós-Parto pode ser vista como um quadro de severidade intermediária entre a Disforia do Pós-Parto e a Psicose Puerperal.

A prevalência da Depressão Pós-Parto varia entre 10% e 20%, segundo a maioria dos autores, a depender dos critérios diagnósticos utilizados e período de tempo considerado.

A ocorrência de um episódio depressivo, nos meses que se seguem ao parto, pode estar associada a desdobramentos importantes. Filhos de mães deprimidas apresentam com maior frequência quadro depressivo ou problemas no desenvolvimento emocional, social e intelectual quando comparados a crianças de mães sem depressão; além disso, a capacidade de cuidar adequadamente ou de se sentir afetivamente ligada ao bebê se mostra prejudicada em mães com depressão.

Do mesmo modo, o relacionamento com o marido pode ser negativamente afetado. Essas características justificam a necessidade de uma rápida identificação e eficaz intervenção terapêutica nas Depressões Pós-Parto, evitando assim sua cronificação e consequências adversas.

Qual é o quadro clínico?

O início da Depressão Pós-Parto pode ocorrer nas primeiras semanas após o parto, às vezes como um prolongamento de um quadro anterior de Disforia do Pós-Parto, com uma evolução progressiva dos sintomas ou ainda, como explicado anteriormente, antes do parto, tendo se prolongado após o nascimento.

Na maioria das vezes, entretanto, sua instalação é tardia, em geral depois do mês seguinte ao parto. Os sintomas podem durar algumas semanas ou meses, porém, em alguns casos, podem cronificar e persistir por um ano ou mais.

De maneira geral, o quadro clínico da Depressão Pós-Parto não se distingue do das depressões que ocorrem em outros períodos da vida da mulher. Consequentemente, sintomas comuns no pós-parto tais como distúrbios do sono e apetite, cansaço e diminuição da libido, podem dificultar o seu diagnóstico.

Nessas situações, a detecção de sintomas-chave, como tristeza, ansiedade, irritabilidade, choro, ideias de culpa e falta de esperança, ajuda na correta identificação dos casos. Além disso, podemos observar isolamento social, pensamentos obsessivos com relação à saúde e segurança do bebê ou, ainda, ideias de que possa perder o controle e causar algum mal ao recém-nascido. Ideias de morte ou suicídio também podem ocorrer, no entanto, o risco de suicídio é menor durante o pós-parto, quando comparado à população feminina em geral.

A intensidade dos sintomas é variável, podendo se observar desde quadros menos severos com queixas leves, semelhantes àqueles descritos para a Disforia do Pós-Parto (porém com a persistência dos sintomas por um período longo) até apresentações graves, com sofrimento psíquico importante e dificuldades nos cuidados com o bebê. Saiba mais sobre os sintomas da Depressão Pós-Parto:

Tristeza

Esse é o sintoma mais frequente em quem sofre com a Depressão Pós-Parto. A falta de ânimo e a sensação de infelicidade levam a paciente, em determinados momentos, a um estado de choro e desespero por se sentir uma pessoa muito ruim.

Irritabilidade

Devido a uma certa falta de organização nos seus pensamentos, assim como a falta de capacidade e vontade para realizar certas tarefas, a mãe se vê diante de uma situação em que se sente irritada com todos: marido, família e filhos, inclusive com o recém-nascido.

Cansaço

A sensação de incapacidade e inutilidade toma conta dos seus pensamentos. Ela se sente emocional e fisicamente esgotada, constrangida e sem vontade de realizar seu papel de mãe.

Insônia

Os problemas relatados acima levam a mãe a um estado de cansaço extremo, dificultando a chegada do sono e atrapalhando o momento de dormir. Os pensamentos são tão intensos que a insônia predomina e ela sente dificuldades para descansar.

Perda de apetite

Outro sintoma da Depressão Pós-Parto é a falta de apetite. Quando o corpo não recebe os nutrientes necessários, o humor é afetado e leva a paciente a um estado de cansaço e mau humor. Algumas mães sentem, como sintoma, o oposto: um apetite voraz para aliviar a tensão psicológica da sua situação.

Ansiedade

A mãe tem medo de ficar a sós com seu filho recém-nascido. Ela tem receio de não conseguir cuidar direito do bebê e levá-lo, por isso, a ter problemas de saúde. Faz parte dos sintomas a culpa por não conseguir amar o bebê do jeito que ela gostaria.

Angústia

O fato da sua vida estar conturbada, principalmente no que tange aos pensamentos, leva a mãe a uma situação de angústia em que ela não se vê com tempo e disposta a fazer nada.

Falta de interesse por sexo

Por fim, temos a falta de interesse por sexo. O prazer que antes fazia parte da relação pode ser deixado de lado nesse momento, ocasionando uma tensão entre ela e o marido. Cabe ao marido saber respeitar essa situação.

Quais são os fatores de risco?

Os mesmos fatores psicossociais e biológicos envolvidos na gênese das depressões em geral também estão presentes nas Depressões Pós-Parto. Em adição, algumas condições mais relacionadas à Depressão Pós-Parto foram observadas. Os fatores de risco podem ser identificados facilmente durante o pré-natal ou pós-parto imediato, oferecendo uma importante oportunidade para visar o planejamento de intervenções precoces ou tratamento imediato, caso isso se faça necessário.

Uma das mais importantes condições que contribuem para a elevação do risco para Depressão Pós-Parto é a ocorrência de episódios anteriores de depressão, especialmente de Depressão Pós-Parto, ou, ainda mais notável, o diagnóstico de depressão durante a gravidez em curso, principalmente quando não tratada. História de episódios depressivos ou alcoolismo em familiares também deve ser levada em consideração.

Uma série ampla de outros fatores de risco pode ser citada, entre eles, história de abuso sexual, história de episódios severos de TPM, dificuldades no relacionamento com o esposo, gravidez indesejada, ambivalência com relação à gravidez, abuso de álcool e drogas na gestação, problemas financeiros, complicações de saúde durante a gravidez ou gravidez de risco, privação importante do sono imediatamente antes ou depois do parto, Disforia do Pós-Parto com sintomas mais severos, problemas de saúde no recém-nascido e falta de apoio ou suporte familiar no pós-parto.

Como prevenir a Depressão Pós-Parto?

A Depressão Pós-Parto é uma patologia associada diretamente à queda de hormônios, portanto, não existe um mecanismo de prevenção. Se trata de um processo comum no período pós-parto, logo, todas as mulheres vão enfrentar as mesmas dificuldades dessa fase, sendo que algumas desenvolverão essa doença emocional e outras não.

Mulheres que apresentaram, em algum momento das suas vidas, histórico de depressão, ou qualquer outra patologia psiquiátrica, ou que passaram por uma gestação concebida de maneira não planejada ou traumática, possuem uma predisposição maior para o desenvolvimento da Depressão Pós-Parto.

Como se dá o tratamento?

Em linhas gerais, o tratamento da Depressão Pós-Parto é bastante semelhante àquele da depressão em outros momentos da vida da mulher, devendo-se levar em conta o perfil de efeitos colaterais de cada medicação e a resposta prévia a um determinado medicamento em um eventual tratamento anterior. O grande diferencial com relação ao tratamento medicamentoso se faz caso a mulher esteja amamentando. Nessa situação, deve-se observar uma série de fatores específicos.

Todos os antidepressivos são secretados no leite materno, no entanto, suas concentrações podem variar bastante a depender do medicamento utilizado, sua dosagem e frequência das tomadas.

O horário das mamadas em relação ao horário de tomada da medicação também tem influência na exposição do bebê à droga e varia de acordo com o metabolismo de cada medicamento.

A idade do lactente, o peso, suas condições de saúde e a idade gestacional ao nascimento são fatores que do mesmo modo devem ser avaliados. Tomando-se todas as medidas necessárias, a quantidade de medicação a que o bebê foi exposto pode ser extremamente baixa, a ponto de não ser detectada a medicação no seu sangue quando exames específicos para isso são realizados.

Levando-se em consideração o sofrimento materno, a capacidade prejudicada da mãe deprimida nos cuidados com o bebê e as consequências disso no desenvolvimento posterior da criança, os benefícios do tratamento medicamentoso superam bastante os riscos de não se tomar os medicamentos, especialmente em casos de gravidade moderada ou severa.

Em alguns casos mais graves ou com resposta insatisfatória ao tratamento, a possibilidade de interrupção do aleitamento materno, visando a ampliação da intervenção terapêutica com aumento das doses, troca da medicação ou acréscimo de outras substâncias merece ser levada em consideração. O uso de hormônios não faz parte do tratamento de rotina da Depressão Pós-Parto e seu papel nessa condição ainda não foi estabelecido com precisão.

A psicoterapia individual ou em grupo (quando possível de preferência com outras mães deprimidas) também pode ser usada associada aos medicamentos em quadros de Depressão Pós-Parto e, em alguns casos mais leves, pode ser utilizada em substituição ao tratamento medicamentoso.

Na maioria dos casos, o tratamento resulta em uma melhora importante das queixas e no estabelecimento de um saudável vínculo entre a mãe e seu bebê, possibilitando o pleno desenvolvimento neurológico e psicológico da criança.

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